Infância

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Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre  mangueiras.
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que  aprendeu
a ninar nos longes da senzala – nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu…Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro…que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade

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2 Comentários

Arquivado em bicicletas, caminho da fé, Cicloturismo, poesia

2 respostas para Infância

  1. demoraes

    Que foto linda…
    que passeioé esse?
    o que está fazendo…?
    nem nos despedimos…que pena..mas enfim…ao menos virtualmente posso acompanhar suas pedaladas e vc meus passos…
    abraxxxx
    http://www.demoraes.wordpress.com

  2. Oi Pedalante
    cadê vc???? sumido!
    aparece… tô com saudade.
    bj

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