Soropositividade

Na cidade de Sorocaba

Na cidade de Sorocaba

por Conceição Lemes no Vi o Mundo

Estimativas do Ministério da Saúde indicam que existem atualmente no Brasil cerca de 630 mil pessoas vivendo com o HIV. Dessas, 255 mil nunca fizeram o teste anti-HIV. Portanto, a maioria dos infectados ainda desconhece a sua condição sorológica.

O diagnóstico da infecção pelo HIV é fundamental. Quanto mais precoce, melhor. Permite o inicio do tratamento antes do aparecimento dos sintomas da doença. Melhora, assim, a duração e a qualidade de vida após o diagnóstico e reduz a possibilidade de transmitir o vírus para outras pessoas.

O tempo de incubação da doença sem tratamento varia, em média, de 4 a 8 anos. Durante esse período, o indivíduo é soropositivo, ou seja, apenas portador do vírus. Porém, à medida que HIV destrói o sistema de defesas do organismo, certas infecções e tumores se aproveitam da baixa imunidade e se manifestam. É a aids: ainda não tem cura nem vacina. Porém, com o tratamento adequado, é possível viver durante muitas décadas e ter vida praticamente normal.

A realização do teste para o HIV durante a gestação também é fundamental. Possibilita o diagnóstico e o tratamento de mães infectadas, e a adoção de outras medidas profiláticas durante, antes e depois do parto. Dessa forma, aumenta muito a chance de os seus bebês nascerem sem o vírus.

Dessa necessidade de saúde pública nasceu a reportagem Teste de HIV: você já fez? Vários comentários postados eram questões sobre prevenção. A demanda nos levou a propor na matéria Tem dúvida sobre prevenção de HIV/Aids? que vocês formulassem todas perguntas que gostariam que fizéssemos a especialistas da área.

“Apesar de muitos medos terem sido superados pelo conhecimento da informação, crenças e valores culturais em relação ao HIV/aids não se traduzem em práticas preventivas”, observa o sociólogo Ivo Brito, coordenador da Unidade de Prevenção do programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. “Só a informação continuada vai diminuir essas crenças e fazer com que mais e mais pessoas tomem decisões racionais e se protejam adequadamente.”

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1980. Surge em São Paulo o primeiro caso de aids no Brasil. Considera-se alguém com aids quando começa a apresentar certos tumores e infecções devido à baixa imunidade provocada pela infecção pelo HIV.

2009. A cada ano, mais de 35 mil brasileiros recebem o diagnóstico de aids. De 1980 a junho de 2007, foram identificados 474.273; em 1985, havia 15 casos em homens para 1 em mulher. Atualmente, a relação é de 1,5 para 1. Em ambos os sexos, a maior parte se concentra na faixa etária de 25 a 49 anos. Porém, tem-se verificado aumento da doença na população acima dos 50, tanto em homens quanto em mulheres. A principal forma de transmissão é a sexual, ou seja, sexo sem camisinha.  Os dados são do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde.

A boa notícia vem de outra pesquisa do próprio Ministério da Saúde: 94% da população brasileira cita a camisinha como a forma de prevenção do HIV. Esse índice independe de sexo, faixa etária ou escolaridade. O uso regular e consistente do preservativo masculino tem aumentado. Porém, ainda está longe do ideal. Por exemplo, na faixa de 16-19 anos, 51,5% dos homens e 32,6% das mulheres fazem uso regular. Na faixa de 20-24, 38,0% e 23,4%, respectivamente. A primeira relação sexual dos meninos ocorre, em média, aos 15 anos; das meninas, aos 15,9.

Mas eu ouço essa história há mais 20 anos. Como é que as pessoas ainda não usam?”, talvez alguém na faixa dos 40-60 rebata. “Esse discurso da prevenção parece disco quebrado; toca sempre a mesma música.”

Primeiro, há sempre uma distância entre o nível de informação e a prática. Segundo, novas gerações surgem e precisam ser informadas. Terceiro, há pessoas das gerações mais antigas que não foram atingidas pelo discurso inicial da prevenção, mas que agora precisam aprender. Por exemplo, algumas descasaram e voltaram ao mercado sexual, outras mudaram de orientação sexual”, justifica psicóloga Vera Paiva, professora do Instituto de Psicologia da USP e assessora dos programas brasileiro e das Nações Unidas de DST/Aids. “Tem que se bater na tecla da prevenção em todos os lugares, o tempo inteiro.”

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