迷惑

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Centro da cidade de Sorocaba.


“Mulheres de meia-idade

As pessoas que eu mais detesto na rua são as mulheres de meia-idade: aquelas entre 40 e 55 anos de idade. São as piores pessoas do Japão. A partir das 4h da tarde, elas começam a sair de casa (de bicleta) para fazer compras no supermercado.

Invariavelmente, elas regulam o banco da bicicleta para uma altura que os seus pés não alcançam o chão. Quando vão estacionar, em vez de ir um pouco para o canto da calçada, elas vão reduzindo a velocidade no meio da calçada mesmo e, de repente, saltam da bicicleta! Quem vem vindo atrás que dê um jeito de desviar.

Quando elas vêm em sentido contrário, o incômodo não é menor. No Japão, os carros da rua e até as pessoas em lugares muito movimentados, andam no lado esquerdo da rua ou das calçadas. É uma convenção, que, obviamente, aplica-se às também às bicicletas. Mas as mulheres de meia-idade, que nunca dirigiram na vida, não têm consciência disso. Eu venho pedalando tranqüilamente pela esquerda e quando me deparo com uma dessas, ela fica me olhando sem saber para que lado vai. Eu não mudo a minha direção, porque eu é que estou certo. Até chegar uma distância que, se os dois continuarem, inevitavelemente se baterão de frente. Eu freio e a véia do outro lado salta (lembre-se da altura do acento). Parece engraçado, mas é bem estressante.

Finalmente, as mulheres de meia-idade chegam ao seu destino: o supermercado. São as piores caras do Japão. Todas de mal-humor, jogando as compras nas suas cestinhas. Não é como no Brasil, onde as madames vão passear no supermercado empurrando seus carrinhos, analisando os produtos, aproveitando a sua vida boa de dona-de-casa. Na hora de pagar, é que elas fazem a cara mais feia, principalmente se tiver fila no caixa. Nessas horas, as brasileiras sempre encontrarão uma amiga para conversar enquanto esperam, ou estarão escolhendo algum produto nas gôndolas próximas, sem estresse. As mulheres de meia-idade japonesas, não. Uma vez eu comentei sobre isso com um amigo japonês. Ele disse que elas fazem aquela cara porque elas não estão lá a passeio. Elas estão trabalhando! Elas são donas-de-casa e o trabalho delas é ir ao supermercado às 4h da tarde.

De fato, a cara que elas fazem não é só um pouco pior do que a dos homens engravatados que andam no centro da cidade durante o dia.

Acréscimo

Eu acho que esta é a quinta vez que eu edito este arquivo. Da última vez tive que apagar uma parte porque eu não conseguia lembrar um exemplo de coisas que eu não gosto e que as mulheres de meia-idade fazer no supermercado. Anteontem aconteceu uma situação que eu acho que ilustra bem o que eu quero dizer.

Anteontem, quando eu voltava do trabalho, por volta das 8h30min da manhã, parei numa loja de conveniência para comprar um sanduíche. Quando chegou a hora de pagar, eu não conseguia achar a minha carteira (eu tinha colocado dentro da mochila). Atrás de mim estava uma mulher de meia-idade. Me desloquei um pouco para o lado no balcão para dar espaço para ela enquanto eu procurava a minha carteira. A mulher colocou a cestinha dela, onde tinha apenas uns 10 potinhos de iogurte, sobre o balcão.

Após eu estar procurando a carteira por uns 30 segundos, a mulher, que agora estava ao meu lado, olhou para a moça do caixa e disse “Será que não dá pra fazer mais rápido? A moça do caixa ficou paralisada, sem saber o que fazer. Ela tinha que fechar a minha conta antes de atender o próximo da fila e não podia pedir para eu fazer mais rápido (e estava bem claro que eu estava fazendo o mais rápido que eu podia), nem me fazer esperar ela atender a mulher primeiro. Eu olhei para a cara dessa mulher e ela fez de conta que eu nem estava ali, como se o problema fosse entre ela e a moça do caixa. Odiei aquela mulher.

Estou criticando a atitude da mulher, mas ela tinha a sua razão para estar irritada. Uma das coisas que os japoneses não gostam é que lhes façam esperar. As empresas têm consciência disso e criam sistemas e treinam seus funcionários para que os clientes sejam atendidos no mínimo tempo possível e o mais rápido possível. Eu também estava errado, pois deveria estar com a minha carteira na mão antes de chegar no caixa para evitar de causar meiwaku aos outros.

Apesar de os funcionários serem treinados para atender rapidamente, como é caro manter um funcionário (os salários são relativamente altos), as empresas também ajustam o número de funcionários para o número mínimo necessário. Nas lojas de conveniência, na maioria dos horários, há apenas dois funcionários. Essas duas pessoas são responsáveis não só pelos caixas, mas também pela limpeza do piso, troca de sacos de lixo, controle de estoque, reposição de mercadorias, preparo de alguns salgados quentes e possivelmente outras coisas que eu não sei. É comum, ao chegar numa loja dessas, não ter ninguém no caixa. Ao aproximarmos do balcão, o funcionário que está passando pano no chão ou repondo mercadoria, etc. deixa o que está fazendo e corre até o caixa para atender o cliente.

Todo mundo sabe que as lojas de conveniência funcionam assim, mas as mulheres de meia-idade parecem não entender e apreciar o esforço dos funcionários de supermercados e lojas de conveniência. Que raiva!

Adriano Dal Bosco

Outras fotos de Sorocaba:  aqui

Leia mais “sobre o Japão e os japoneses”:  aqui

……..

迷惑

Meiwaku é uma palavra japonesa que é definida pelo dicionário como incômodo.

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