Entrevista-depoimento com/da MIOSÓTIS

#fimdaviolenciacontramulher :

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” Nome fictício: Miosótis (é uma flor.)

Situação: 19 anos, sem emprego, sem filhos, e sem relação com o agressor.

Relato da violência: Estava voltando para casa (4 km de caminhada a 4 anos) quando ao terminar de atravessar uma das ruas, um carro bateu em mim. O meu antebraço ficou encaixado no carro (meu corpo ficando em cima do capô) até ele parar, mais ou menos uns 100 metros do local da pancada. Depois, vários motoboys me ajudaram ligando pra minha família e depois ligaram para a SAMU. Estava muito mole e tentando recobrar a memória, mas ainda não estava sentindo dor alguma. Por alguma razão, que ainda tento entender, não quis processá-lo. Ele pedia muitas desculpas, mas continuava com um discurso de que eu também estava errada por estar a pé, por estar sozinha e estar andando à noite. Total imbecilidade. No hospital, apesar de terem tirado Raios-X do meu corpo, disseram que eu não havia quebrado nada. Uma semana depois voltei por sentir dor no antebraço, aí descobri que estava quebrado. Depois disso tudo fui a um hospital particular e engessei o braço e fiquei uns três meses achando que o osso iria calcificar, mas não havia jeito. Depois de quase cinco meses depois do acidente (até marcar e fazer todos os exames demora…), tive que fazer uma cirurgia de enxerto de células ósseas, do meu próprio quadril. Depois fiz um mês de fisioterapia e o braço parece bem melhor.

Situação do processo: Não o processei, mas ainda estou juntando as coisas para receber o dinheiro do seguro obrigatório do carro, que cobre acidentes, o DPVAT.

Opinião da vítima sobre o atendimento recebido: o posto de saúde falhou muito ao me mandar para casa com o antebraço quebrado sem eu saber. Isso agravou o estado do meu antebraço, pois se soubesse na hora, daria para colocar o antebraço no lugar e não perderia todo esse tempo com dor.

De que forma a violência contra a mulher te atingiu/atinge?
Hoje, vejo a agressão que sofri com um atentado a vida, com justificativas machistas. Hoje, não sofro violência física, mas psicológica, às vezes, como provocações quando caminho onde tem avenidas movimentadas, e antes quando pedalava.”

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1 comentário

Arquivado em arte, bicicletas, Memória, movimentos sociais, mulheres, protestos, relatos, texto

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