Rememorar o 18 de Março

Em 18 de março de 1871, os trabalhador@s que habitavam Paris tomaram nas mãos a História: construíram a 1ª república proletária da humanidade.

Já em 2011, em umas das regiões mais fabris do país( o ABC), novamente os trabalhador@s irão às ruas e quem sabe, façam a história com as mãos e os seus pés…

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À memória de Rodolfo Gonzales Pacheco, o grande poeta e dramaturgo, recentemente falecido, que honrou as ideias anarquistas( idênticas aos communards). Inspirado numa das suas peças de teatro.

O Semeador

Como eu, há muitos percorrendo o mundo.
Através das nações, do mar profundo,
dos desertos escaldantes, dos países gelados,
cruzam os meus companheiros,
atrás dos seus arados.

Saúda-os a Manhã nos cânticos dos galos.
O Meio-dia com a sesta os abençoa.
E a Noite vai tragá-los,
como um túnel imenso.

Mas eles seguem sempre, em seu labor imersos.
Aqui, lavram um monte.
Ali, secam um charco.
Mais adeante, publicam um jornal
E, mais longe, sobre um barco,
fazem flamejar versos.

Obreiros, apóstolos, poetas,
semeadores das verdes campinas do Ideal,
seguem, sem se deter, pelas veredas retas,
duros, tostados, curtidos
pelas brasas do sol,
pelo açoite dos vendavais.

Para quê?
Para amealhar riquezas materiais?
Conquistar o vil poder?
A suja glória de mandar?
Não e Não!
Apenas para isto: semear!
Nenhuma outra ambição,
nenhuma outra cobiça
agita o semeador.
Semear o de que mais os homens necessitam:
fé na Vida,
esperança na Justiça, Amor!

Jamais nos vimos,
o que ara e o que escreve,
o que, caçando estrelas, aos céus se empina
e o que, impelindo o arado pelos cimos,
caminha pela neve,
ou o que marcha
pela senda que ele próprio abriu na mina.

E entretanto compreendemos
que somos camaradas e irmãos,
de uma única armada combatentes.
São os mesmos os nossos fins supremos.
O mesmo ideal nos faz mover as mãos
e o mesmo sonho abrasa as nossas mentes.

Semear sem descanso! — eis o lema de tantos.
Mas semear o quê? — perguntarão.
— Pois, isto: Pão,
impulsos, visões, cantos,
protestos, esperanças e amores!

Rodolfo, como tu, com teu ardor fecundo,
eu sou também dos tantos semeadores
que percorrem o mundo!

……

Outros exemplos de quem sabe faz a hora

vídeo 1 e vídeo 2 (clique nos nº)

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