Se Liga aí é 10 de maio

Aberlardo Rodrigues em sua casa, na zona leste de SP.

Aberlardo Rodrigues em sua casa, na zona leste de SP.

Se ligaí! | 10/05, 19h, na Ação Educativa: Abelardo Rodrigues retorna com seu Memória da Noite revisitada & outros poemas

Peço licença pra fazer um convite pra você!

Esforço de uma parceria coletiva, o escritor e poeta negro Abelardo Rodrigues vai apresentar seu Memória da Noite, revisitada & outros poemas, no próximo dia 10 de maio, sexta-feira, às 19h, na Ação Educativa (R. General Jardim, nº 660, Vila Buarque-Centro, SP). Lançado originalmente no conturbado final da década de setenta, o livro é uma obra significativa na história intelectual do negro paulistano que à época teve repercussão e causou impacto em toda uma geração literária afrocentrada. A nova edição apresenta, 35 anos depois, os textos e poemas da primeira edição revisitados, e também poemas inétidos.
Na noite de lançamento, além da seção de autógrafos, teremos leituras de poemas do autor, exposição, projeção de imagens e a apresentação da cantora Denna Hill e do músico Henrique Elói.
Esperamos você lá!
Cartaz do lançamento_10.05.2013

Abelardo Rodrigues nasceu em Monte Azul Paulista (SP), em 1952, e mora na zona leste paulistana a mais de 30 anos. Publicou Memória da Noite (Ed. do Autor, 1978). Foi co-fundador da antologia Cadernos Negros, junto com Oswaldo de Camargo, Paulo Colina, Cuti e Jorge Lescano. Tem participação na premiada antologia Axé – Antologia Contemporânea da poesia negra (Org. Paulo Colina, 1982), O Negro Escrito (Oswaldo de Camargo, 1987) e tem diversos textos publicados em revistas norte – americanas e alemãs; é um poeta muito representativo na cena da literatura negro brasileira, e sem dúvida, figura como escritor essencial para a literatura produzida pela coletividade negra paulistana.

poemas de Abelardo Rodrigues:

A NOSSA VOZ ALTISSONANTE

Sobre o Manifesto Negro Contra o Racismo, em 07/07/1978
nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, organizado 

pelo MNUCDR (MNU) Movimento Negro Unificado.

Floresceram naquelas escadas
vozes irriquietas de negritudes
que foram punhos diretos
içados como velas de fogo
ao mar de silêncio e medo
que nos dominava.

Vozes que tremularam liberdades
antigas
republicanamente amoitadas
em 1888.
Discursos dos despossuídos
de vozes
juntando-se à Nação calada
sobre novas botas de silêncio
galgando do espanto branco
que passava
o medo e
a interrogação

Vozes brasileiras negras
secularmente amor-.
-daçadas
reerguendo-se
junto ao coro dos
calados:

A nossa presença
negra
presságio
dos bons
ventos
da
Liberdade
sonho coisificado
nas senzalas coloniais
do silêncio.


Poema publicado em Memória da noite, revisitada & outros poemas, 2013.


Garganta

Hoje
é preciso que tua garganta
do existir
esteja limpa
para que jorre
teu negrume.
Uma garganta não é corpo
flácido
É sangue escorrendo
em
leilão de cais.
Sua garganta,irmão
É uma quarta-feira
de cinzas.

Poema publicado em Cadernos Negros 3. Poemas. Quilombhoje, 1980.


Batalha

Um exército de palavras
se faz necessário
para o nosso querer.
E que façamos guerrilhas
contra essa calmaria geral.

Há que pintarmos
um novo quadro
de momentos
que foram eternidades
em nossa pele

Poema publicado em Axé – Antologia Contemporânea da Poesia Negra Brasileira – Paulo Colina (org), 1982. Publicação premiada como melhor livro de poesia do ano pela APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte.

.-.-.-.-.-.

 

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Arquivado em arte, fotos, movimentos sociais, poesia

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