Arquivo da categoria: poesia

Pausa

“Pausa”

De vez en cuando hay que hacer
una pausa

contemplarse a sí mismo
sin la fruición cotidiana

examinar el pasado
rubro por rubro
etapa por etapa
baldosa por baldosa

y no llorarse las mentiras
sino cantarse las verdades.

– Mario Benedetti

o senhor , não segura ou empunha bandeiras...não usa o transporte público, não lê poesias, não participa de saraus...ele vive e habita a rua. busca sua alimentação entre pedidos e sacos de lixo na região da praça da sé. Sim, ele é um morador em condição de rua. Seu nome? ei, tira uma foto minha....

o senhor , não segura ou empunha bandeiras…não usa o transporte público, não lê poesias, não participa de saraus…ele vive e habita a rua. busca sua alimentação entre pedidos e sacos de lixo na região da praça da sé. Sim, ele é um morador em condição de rua. Seu nome? ei, tira uma foto minha….

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ser[h]u[m]ano

menosMaiso mano

aquele que causa medo

que te faz apertar o passo naquela rua escura do centro

um mano

aquele que fala gíria

e que usa roupas largas

os manos

aqueles que fazem um rap

os mano [pow]

na porta do bar

um mano

na fila do busão as cinco da madrugada

dormindo em pé

hum mano

saindo do da estação grajaú

com destino a estação osasco

[h]um mano

que mora na favela

[h]umano

que toma enquadro da PM

ser um mano

ser humano

ser[h]u[m]ano

Thiago Biá

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Qual história te contaram

Lei assinada, não significa a inclusão na sociedade. Lentamente e por variadas maneiras os descendentes dos escravos desde o século XIX, estão se incluindo na sociedade. A arte é apenas uma das expressões da inclusão social em nosso território, chamado Brasil:

[imagens abaixo, o lançamento  Livro “Memória da Noite revisitada & outros poemas” do poeta Abelardo Rodrigues. Ação Educativa ]

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Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

bc_blogueiras-negras

Este post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.

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Se Liga aí é 10 de maio

Aberlardo Rodrigues em sua casa, na zona leste de SP.

Aberlardo Rodrigues em sua casa, na zona leste de SP.

Se ligaí! | 10/05, 19h, na Ação Educativa: Abelardo Rodrigues retorna com seu Memória da Noite revisitada & outros poemas

Peço licença pra fazer um convite pra você!

Esforço de uma parceria coletiva, o escritor e poeta negro Abelardo Rodrigues vai apresentar seu Memória da Noite, revisitada & outros poemas, no próximo dia 10 de maio, sexta-feira, às 19h, na Ação Educativa (R. General Jardim, nº 660, Vila Buarque-Centro, SP). Lançado originalmente no conturbado final da década de setenta, o livro é uma obra significativa na história intelectual do negro paulistano que à época teve repercussão e causou impacto em toda uma geração literária afrocentrada. A nova edição apresenta, 35 anos depois, os textos e poemas da primeira edição revisitados, e também poemas inétidos.
Na noite de lançamento, além da seção de autógrafos, teremos leituras de poemas do autor, exposição, projeção de imagens e a apresentação da cantora Denna Hill e do músico Henrique Elói.
Esperamos você lá!
Cartaz do lançamento_10.05.2013

Abelardo Rodrigues nasceu em Monte Azul Paulista (SP), em 1952, e mora na zona leste paulistana a mais de 30 anos. Publicou Memória da Noite (Ed. do Autor, 1978). Foi co-fundador da antologia Cadernos Negros, junto com Oswaldo de Camargo, Paulo Colina, Cuti e Jorge Lescano. Tem participação na premiada antologia Axé – Antologia Contemporânea da poesia negra (Org. Paulo Colina, 1982), O Negro Escrito (Oswaldo de Camargo, 1987) e tem diversos textos publicados em revistas norte – americanas e alemãs; é um poeta muito representativo na cena da literatura negro brasileira, e sem dúvida, figura como escritor essencial para a literatura produzida pela coletividade negra paulistana.

poemas de Abelardo Rodrigues:

A NOSSA VOZ ALTISSONANTE

Sobre o Manifesto Negro Contra o Racismo, em 07/07/1978
nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, organizado 

pelo MNUCDR (MNU) Movimento Negro Unificado.

Floresceram naquelas escadas
vozes irriquietas de negritudes
que foram punhos diretos
içados como velas de fogo
ao mar de silêncio e medo
que nos dominava.

Vozes que tremularam liberdades
antigas
republicanamente amoitadas
em 1888.
Discursos dos despossuídos
de vozes
juntando-se à Nação calada
sobre novas botas de silêncio
galgando do espanto branco
que passava
o medo e
a interrogação

Vozes brasileiras negras
secularmente amor-.
-daçadas
reerguendo-se
junto ao coro dos
calados:

A nossa presença
negra
presságio
dos bons
ventos
da
Liberdade
sonho coisificado
nas senzalas coloniais
do silêncio.


Poema publicado em Memória da noite, revisitada & outros poemas, 2013.


Garganta

Hoje
é preciso que tua garganta
do existir
esteja limpa
para que jorre
teu negrume.
Uma garganta não é corpo
flácido
É sangue escorrendo
em
leilão de cais.
Sua garganta,irmão
É uma quarta-feira
de cinzas.

Poema publicado em Cadernos Negros 3. Poemas. Quilombhoje, 1980.


Batalha

Um exército de palavras
se faz necessário
para o nosso querer.
E que façamos guerrilhas
contra essa calmaria geral.

Há que pintarmos
um novo quadro
de momentos
que foram eternidades
em nossa pele

Poema publicado em Axé – Antologia Contemporânea da Poesia Negra Brasileira – Paulo Colina (org), 1982. Publicação premiada como melhor livro de poesia do ano pela APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte.

.-.-.-.-.-.

 

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Os vencidos de hoje

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Elogio da Dialéctica

Bertold Brecht

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos O poder apregoa: as coisas
continuarão a ser como são Nenhuma voz além da dos que mandam E em todos os
mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem Aquilo que nòs queremos
nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados Quem pois ousa dizer: nunca De quem depende que a
opressão prossiga? De nòs De quem depende que ela acabe? Também de nòs O que
é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha E nunca será: ainda
hoje Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

…………

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

 

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Verdade e falas

arvoresvivas2

Foto: Antonio Miotto

Falar a verdade

Sobre ser sincero e verdadeiro conosco e com as pessoas, principalmente com aquelas que querem o nosso bem, eis algumas dicas:

quando você quiser dizer ‘não’; diga simplesmente: ‘não’.
quando você quiser dizer ‘não posso’; diga simplesmente: ‘não posso’.
quando você quiser dizer ‘não quero’; diga simplesmente: ‘não quero’.
quando você quiser dizer ‘vou embora’; diga simplesmente: ‘vou embora’ e vá.
quando você quiser dizer ‘eu fico’; diga simplesmente: ‘eu fico’ e fique.
quando você quiser dizer ‘quero’; diga simplesmente: ‘eu quero’ e queira.
quando você quiser dizer ‘posso’; diga simplesmente: ‘posso’.
quando você quiser dizer ‘sim’; diga simplesmente: ‘sim’.
quando você quiser dizer ‘eu te amo’; simplesmente ‘ame’.

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Bicicleta é poesia

bomdia

 

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Oda a la bicicleta

Iba
por el camino
crepitante:
el sol se desgranaba
como maíz ardiendo
y era
la tierra
calurosa
un infinito círculo
con cielo arriba
azul, deshabitado.

Pasaron
junto a mí
las bicicletas,
los únicos
insectos
de aquel
minuto seco del verano,
sigilosas,
veloces,
transparentes:
me parecieron

lo movimientos del aire.

Obreros y muchachas
a las fábricas
iban
entregando
los ojos
al verano,
las cabezas al cielo,
sentados
en los
élitros
de las vertiginosas
bicicletas
que silbaban
cruzando
puentes, rosales, zarza
y mediodía

Pensé en la tarde cuando los muchachos
se laven,
canten, coman, levanten
una copa
de vino
en honor
del amor
y de la vida,
y a la puerta
esperando
la bicicleta
inmóvil
porque
sólo
de movimiento fue su alma
y allí caída
no es
insecto transparente
que recorre
el verano,
sino
esqueleto
frío
que sólo
recupera
un cuerpo errante
con la urgencia
y la luz,
es decir,
con
la
resurrección
de cada día.

Pablo Neruda

boanoite

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