Arquivo da categoria: relatos

A Batalha do dia 13 de junho

Dia de Santo Católico que realiza o casamento desejado…dia de ir à Igreja, dia de devoção. Sim, na tradição religiosa era o dia de prometer.

Na noite anterior[12/06], recebo uma ligação com informes difusos: ” as redes sociais estão monitoradas com autorização judicial; O ‘bpchoque’ está aquartelado; amanhã a coisa irá ferver…”

Repassei na manhã[13/06] e inicio da tarde as informações que tinha. Estava preocupado e tenso, caminhei pelo centro da cidade para sentir o tal “clima” e o que percebia era uma calmaria por ruas que havia percorrido [ r. libero badaró, 15 de novembro, são bento, largo patriarca, ladeira da memória, rua boa vista, praça da sé, av. liberdade, rua riachuelo, largo do café, largo da misericórdia, praça antonio prado]. Calmaria que talvez fosse a antecipação de algo que estaria a acontecer! Temia o pior…

Os ativistas sociais, começam a chegar no teatro municipal de São Paulo e se concentram em suas escadarias…os órgão de repressão lá também comparecem, com a determinação de manter tudo em seu lugar(entre 900 a 1200 policiais)

pmreprime pmreprime2 pmreprime3

 

O que vi depois, já na rua da consolação com Maria Antonia, foram cenas de covardia e brutalidade que confesso, jamais tinha presenciado na cidade. Os agentes da repressão do estado ‘tocando o terror’, como se a ordem fosse bate, espanca e prende. Só ouvia os disparos das balas de borracha e das bombas de gas pimenta [ não pelo som, mas o odor que senti e a ardência nos olhos]; Teve momentos que as lágrimas que caiam do olhos eram uma mistura de irritação por causa do gas pimenta, com o ódio contido contra tamanha violência que se descortinava diante dos olhos.

……

Leia abaixo o relato , e tire suas próprias conclusões:

“Um Relato do Ato

Manifestantes cercados e atacados pela Força Policial: democracia, só que não

São quase duas da manhã e estamos aqui, um grupo de nove jovens amigos/as, reunidos/as, agitados/as e não conseguimos dormir antes de denunciar o que vivemos hoje pelas ruas do centro de São Paulo.Era por volta das 18h quando descemos a Rua Augusta em direção ao Teatro Municipal para a concentração do Quarto Ato contra o aumento das tarifas.As notícias que circularam durante o dia prenunciavam que o a manifestação seria tensa. Mas, apesar do medo, estávamos leves e confiantes na democracia. Fomos nos incorporando a vários outros companheiros que seguiam para o ato. O que portavam? Flores, vinagre e câmeras fotográficas.Ao chegar no Teatro, o clima já estava tenso. A forte presença policial contrastava com o desejo de paz da maioria dos manifestantes, evidenciados em falas, gritos pela não violência e em atitudes absolutamente pacíficas.Seguimos com a multidão, reivindicando a revogação do aumento das tarifas e, mais do que isso, o direito ao transporte público, à cidade e, óbvio, a nos manifestarmos.Nossa intenção era parar a Paulista, chamar a atenção dos governantes e exigir o diálogo, mas quem parou a Paulista foi a polícia. Poucos metros de caminhada e o choque cercou os manifestantes e realizou a primeira dispersão. A partir daí éramos vários atos pela região central da cidade. Seguimos com um grupo que subiu a Augusta para tentar chegar a Paulista. Também fomos cercados, recuamos pela Bela Cintra e também ficamos sem saída. Fomos encurralados até chegar na Consolação. Vimos um cenário de guerra, vários dos grupos que haviam se dispersado voltaram a se encontrar, mas estávamos cercados pelo choque e pela cavalaria de todos os lados. Todos. Não havia para onde escapar e se proteger. Muitas bombas e balas de borracha atingiam os manifestantes. O desespero começou a tomar conta. Faltava o ar, os olhos ardiam, medo de perder os companheiros e, principalmente, o sentimento de indignação, humilhação e revolta. A solidariedade prevaleceu, quem tinha vinagre, oferecia, indicavam caminhos livres, davam as mãos.Conseguimos correr por uma das ruas. Recuamos. Tinha duas adolescentes conosco, estávamos preocupados, cansados. Precisávamos encontrar um local seguro. Seguimos pelas ruas paralelas à Consolação na região de Higienópolis. Estava deserta, nos sentimos a salvo. Encontramos mais um pequeno grupo de amigos numa padaria. Um alivio. Tomávamos uma água.De repente, onde não havia mais aglomeração de manifestantes, mais fumaça, mais barulho, mais bomba. Começamos a correr. Nos separamos dos outros. Nesse momento, éramos apenas nove amigos. Resolvemos caminhar calmamente, não haveria motivo para sermos atacados. Não fazíamos nada de mais. Estávamos enganados. Uma viatura parou diante de nós. Policiais apontaram a arma e ordenaram: “corram que vamos atirar”. Corremos e eles cumpriram a promessa. Atingiram uma amiga. Nos desesperamos. As ruas estavam desertas, não havia onde entrar. estávamos sozinhos. Humilhados e indignados pela arbitrariedade, pela violência, pela covardia, gritamos por socorro.Duas moças passavam de carro, se escandalizaram com a covardia que presenciaram. Pararam o carro e disseram para entrarmos. Nove pessoas num Palio. A solidariedade e o senso de justiça nos salvou. Elas moravam por ali e nos levaram para o apartamento, para ficarmos em segurança até que pudéssemos sair.Mais amizade, mais solidariedade. Fizemos um pedido de ajuda pelas redes sociais. Precisávamos de dois carros para nos tirar dali em segurança. Poucos minutos e dezenas de ajuda foram oferecidas. Fizemos e recebemos diversos telefonemas para saber dos outros amigos/as espalhados/as, feridos/as, presos/as. Havia uma rede de pessoas trocando informação, solidariedade, força. Fomos acolhidos num local seguro, onde passaremos a noite.Como nos sentimos agora? Humilhados e indignados, sim. Mas não derrotados. O que vimos hoje nos fez ver o tamanho do desafio que temos para consolidar a democracia e também nos fez sentir que somos fortes, somos muitos e somos bons. Partilhamos de momentos emocionantes de luta, coragem, lucidez. Fomos acolhidos e recebemos imensa solidariedade que alimentaram ainda mais o nosso sentimento de força. Essa rede pode crescer, temos certeza. Não vamos recuar.Enquanto a passagem não baixar, São Paulo vai parar.

Ingrid Evangelista
Juliana Giron
Paolla Menchetti
Rafael Lira
Vanessa Araújo Correia
Vânia Araújo Correia
Victória Satiro
Vitor Hugo Ramos

-.-.-.-.-.

protestocontraoaumentodatarifa_13062013

 

obs. em constante atualização, até o próximo ato[17/06]

.-.-.-.-

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Memória, movimentos sociais, mulheres, protestos, relatos

Havana

Apesar de todas as recentes transformações na ilha de Cuba, em sua capital – Havana – se pedala para as mais variadas atividades.

o vendedor de salguados na cidade de havana e sua bicicleta.

o vendedor de salguado na cidade de Havana e sua bicicleta.

Não perdi a dimensão da crítica e não espere que farei coro aos que insistem em falar mal de Cuba [ repeteco da crítica economicista estadunidense ]

Conmigo no cuentes para hablar mal de Cuba… [ não, não perdi a dimensão da crítica e nem farei repeteco do bláblá economicista estadunidense]

Havana

[…] ” O número de automóveis não apenas cresceu, como tem começado a se renovar. Em Havana, alguns carros mais novos, principalmente conduzidos por taxistas, misturam-se à frota que faz as ruas da capital parecer uma locação de um filme dos anos 1950. Além disso, os prédios públicos históricos passam por reformas. O objetivo é atrair mais turistas. “Há mais estrangeiros e capital externo”, constata um jovem vendedor de livros, herdeiro de uma livraria em Havana Velha.[…]”

Continue a leitura, clicando aqui

-.-.-.–.

Deixe um comentário

Arquivado em bicicletas, relatos

CONVITE BLOGAGEM COLETIVA 13 DE MAIO PELOS 125 ANOS DE ABOLIÇÃO

Há 125 anos Dona Isabel, então princesa imperial regente em nome de Dom Pedro II, sancionava a lei áurea. Apesar da gravidade do problema sobre o qual versa, a simplicidade de sua redação é quase um acinte que ainda alimenta o mito da redenção em detrimento do entendimento da abolição como objeto de acaloradas discussões, contra e a favor, a libertação dos escravos – “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário.”

Porém, um simples exame na totalidade desse documento acrescenta algumas camadas ao entendimento do dia 13 de maio. Ali estão insinuados, por exemplo, os 65 anos de debates parlamentares sobre a liberdade de mulheres e homens negros, iniciados em 1823 com a representação de José de Bonifácio à Assembleia Geral Constituinte Legislativa do Império – “este comércio de carne humana é pois um cancro que rói as entranhas do Brasil”.

A construção efetiva cidadania de negros e afrodescendentes ainda é um projeto inacabado. Podemos dizer que tem sido lenta e gradual, à exemplo da própria abolição. Resulta numa incompletude que afeta a vida milhões de pessoas que não alcançamos os espaços de poder; somos sub representados política, artística e culturalmente; temos nossas vida abreviada pela oferta desigual de serviços oferecidos pelo Estado. Para a mulher negra esse panorama é ainda mais nefasto, vítima de racismo e machismo.

A primeira Blogagem Coletiva 13 de maio, personificada por Luiza Mahin, tem como objetivo repensarmos a Abolição nesse contexto. Para representar a empreitada, escolhemos entre os vultos ancestrais abolicionistas uma mulher da qual pouco se fala cuja biografia é uma mistura de realidade e ficção. Descrita inclusive por historiadores como João José Reis, inspirou a heroína Kehinde de Um defeito de cor, por Ana maria Gonçalves.

Não se sabe ao certo onde nasceu Luiza , se na Costa da Mina ou Bahia, mas é certo que é Nagô da tribo Mahin (Golfo do Benin, noroeste da África). Comprou sua liberdade em 1812, sobreviveu como quituteira em Salvador e teve, assim como as muitas mulheres negras vendedoras nas ruas, participação importantíssima na Revolta dos Malês (1835), parte da rede de agitações que precederam a abolição de 1888.

Usava seu tabuleiro para repassar as mensagens em árabe aos revolucionários. Conta-se que era uma princesa. Também é importante dizer que era mãe de Luís da Gama, o poeta, jornalista e advogado baiano abolicionista. Infelizmente pouco é sabido sobre o desenrolar da vida de Luíza Mahin. Alguns dizem que teria vivido no Maranhão, dando origem ao tambor de crioula. Outros acreditam que retornou à Africa.

Antes de mais nada, Luiza é Odùduwà, uma das divindades primordiais. Seu legado é a incansável disposição para a batalha, ainda que muitos desacreditem nossas demandas ou queiram nos fazer acreditar que não há nada a ser mudado sob ao argumento da cordialidade e da democracia racial. Ou ainda, que a abolição foi uma conclusão satisfatória para três séculos de escravidão e tratamento desumano.

COMO PARTICIPAR

Publique um post falando sobre os 125 anos de abolição no dia 13 de maio. Não se esqueça colocar a imagem que representa nossa blogagem e um linque para esse post. Assim poderemos divulgar seu material nas redes sociais.

bc_blogueiras-negras

 

Este post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.

.-.-.-.-.-

Deixe um comentário

Arquivado em fotos, Memória, movimentos sociais, mulheres, relatos, texto

No caminho

No caminho tem palhaço

20130426-091748.jpg

Tem andarilho

20130426-092000.jpg

Tem baleiro

20130426-092215.jpg

tem prosa

20130426-092409.jpg

Tem hora para almoçar

20130426-092611.jpg

Deixe um comentário

Arquivado em bicicletas, Cicloturismo, fotos, Memória, mulheres, relatos

Bike anjo na praça

Manhã nublada no último domingo(07/04), e a turma do Bike anjo se reuniu na praça princesa Isabel(centro de SP). A prosa sobre os rumos e desafios dos participantes e voluntários do Bike anjo. Vamos aguardar as novidades

20130409-074340.jpg

Foto: Antonio Miotto

20130409-074504.jpg

Deixe um comentário

Arquivado em bicicletas, fotos, Memória, movimentos sociais, relatos

Eu pergunto a você

Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder

Chico Buarque

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Nossa luta é por justiça e pela preservação da memória dos mortos e desaparecidos. Para que se conheça, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça. 

#desarquivandoBR

Mais do que nunca a luta pelo desarquivamento do Brasil e pelo Direito à Verdade se faz necessária.

Nos dias  31 de março e 1º de abril, aniversário do golpe militar, realizaremos tuitaço a partir das 21h e concentraremos esforços nas postagens também no Facebook. Acompanhem pelo perfil @desarquivandoBR e/ou pela hashtag #DesarquivandoBR no twitter e na nossa fan page no Facebook e coloque a marca da campanha no seu avatar.

——————————————–

Edições anteriores do #desarquivandoBR:
Entrevista com Criméia Almeida e Suzana Lisbôa, em 12/01/2010 e a 1ª blogagem
Proposta da 
2ª blogagem
Balanço da 
3ª blogagem
Convocação da 
4ª blogagem e post final com todos os blogs participantes
Avaliação da 
5ª blogagem coletiva
Compilação da 
6ª blogagem coletiva.

-.-.-.-.-

Deixe um comentário

Arquivado em leituras, Memória, movimentos sociais, mulheres, protestos, relatos, texto, Uncategorized

O jogo politíco

por 

Mesmo o mais alienado dos cidadãos desse país percebe que vivemos momentos turvos e complexos no que se refere a direitos humanos e liberdades, coletivas ou individuais. Não é pior ou igual ao período da ditadura militar. Óbvio que não. Toda a luta da esquerda até aqui impulsionou — não tenho dúvida ou medo de atribuir isso à esquerda — melhorias na qualidade de vida para os mais pobres, desde a diminuição da taxa de mortalidade infantil e jornada de trabalho até o acesso a serviços públicos. Mas está longe, muito longe, de podermos relaxar, sob qualquer aspecto.

Apesar da propalada democracia, temos um Estado altamente repressor e coercitivo. Não há uma única manifestação nesse país, além das religiosas (e talvez isso não seja apenas coincidência), que não seja reprimida. Sempre as mesmas cenas: polícia batendo, jogando gás de pimenta, um aparato sempre desproporcional ao tamanho da manifestação e a “criação” do clima do terror, com policiais à paisana em meio aos manifestantes fazendo fotos, helicópteros sobrevoando, armas sendo exibidas, provocações, policiais sem identificação na farda. Não é de hoje que denunciamos. Não é de hoje que observamos.

Sempre que há uma “direitização” na política fica a impressão de um perigo iminente oferecido pela esquerda — ou pelo menos é isso que sempre tentam nos fazer acreditar. Foi essa a justificativa para o golpe militar de 1964: “o perigo comunista”. Reforçavam os golpistas e seus apoiadores o boato que os comunistas eram capazes de atrocidades e “nossos salvadores da pátria”, “honrados”, nos livraram dos “terroristas comedores de criançinhas” COMETENDO ATROCIDADES. Mas como isso ficou nos porões e os porões foram fechados, o boato ainda persiste.

Não estou dizendo que a esquerda é santa e boazinha. Eu faço parte da esquerda que nasceu criticando as atrocidades do chamado socialismo real (experiências socialistas que foram endurecendo e cerceando a liberdade e se burocratizando e, por consequência, se perdendo, deixando de serem socialistas). Somos todos humanos, vivemos numa sociedade estruturada sobre preconceitos e a cultura da violência. Sempre lembro que o único animal capaz de articular, planejar, elaborar e executar a maldade é o ser humano. Mas também que a única chance de nós, humanos, termos uma vida com o mínimo de justiça e paz é num sistema que tenha o humano como parâmetro, e não o dinheiro ou coisas.

“O liberalismo pensa estar defendendo o indivíduo quando nega a primazia do social, ou diz que uma sociedade é apenas um conjunto de ambições autônomas. O culto ao individualismo seria um culto à liberdade se não elegesse como seu paradigma supremo a liberdade de lucrar, e como referência moral a moral do mercado. Se não fosse apenas a última das muitas tentativas de substituir o Ser Humano como a medida de tudo, e seu direito à vida e à dignidade como o único direito a ser cultuado. Já tentaram rebaixar o homem a mero servo de uma ordem divina, a autômato descartável de engrenagens industriais, a estatística sem identidade de regimes totalitários, e agora a uma comodidade entre outras comodidades, com nenhuma liberdade para escolher seu destino individual e o mundo em que quer viver. Mas o indivíduo só é realmente um indivíduo numa sociedade igualitária, como só existirá liberdade real onde os valores neoliberais não prevalecerem.” — Luis Fernando Veríssimo, trecho de O Parâmetro Humano (crônica publicada em Zero Hora ao final dos cinco dias do primeiro Fórum Social Mundial, em janeiro de 2001, em Porto Alegre-RS).

O golpe militar não foi para conter a ameaça comunista ou para manter a ordem. Ele fez parte de uma articulação internacional que beneficiou os EUA na dita guerra fria. Nós éramos/somos o quintal estadunidense. Não acredite em mim, assista a essa entrevista do professor Enrique Serra Padrós falando sobre a América Latina, com foco na Doutrina de Segurança Nacional e Operação Condor nos vídeos 123 e 4. Ou seja, não estamos falando de política como discussão/decisão coletiva sobre a vida das pessoas, mas sobre interesses políticos que geram lucro e poder. As pessoas no meio disso? Danem-se! Aí, sim, os comunistas (na verdade qualquer um que ousasse questionar o processo) viraram ameaça. Não era só a luta quase ingênua e romântica contra a truculência e por liberdade. Era a percepção de todo esse processo e a organização (mesmo que sujeita a cometer erros) para tentar de alguma forma barrá-lo.

Se com liberdade de expressão e organização é difícil explicar isso para as pessoas — uma vez que no pouco e raso de educação que temos não privilegiamos a formação de cidadãos, porque ao capital interessa formar mão de obra obediente –, imaginem sem!

Não é que a luta por Direitos Humanos seja maior ou menor que qualquer luta. É que não deveríamos lutar por direitos humanos. A vida deveria ter valor universal em qualquer sociedade, e o zelo por sua manutenção obrigação de qualquer Estado e ideologia. As disputas e discussões políticas deveriam se dar a partir dessa garantia.

Os sinais do processo de direitização que estamos vivendo são evidentes. O que já era ruim em termos de direitos humanos, só faz piorar. Há uma ameaça comunista? Queria que houvesse, mas não. Há sim, interesses maiores em bens públicos nacionais. Enquanto nos debatemos contra pastores evangélicos que decidiram se aventurar na política para aumentarem seu poder e lucros pessoais e que refletem e evidenciam todos os preconceitos estruturais dessa sociedade, grupos muito mais organizados que a dita bancada evangélica aumentam a passos largos o seu poder de influência em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) da República. O moralismo religioso é apenas cortina de fumaça para esconder um jogo de interesses bem maior. Tal e qual durante a ditadura.

Ameaçar direitos humanos conquistados nada mais é do que nos desviar de outra luta para voltar atrás numa luta já vencida. A isso se chama estratégia. Talvez no nosso caso seja um chacoalhão para acordar todo mundo que estava parado, alheio a banda que estava passando. O que me parece é que a banda estava passando descarada demais, alegórica demais, e antes que alguém mais percebesse…

O que temos a ver com isso? Eu, tu, o BiscateSC? Somos a moeda de troco/troca na barganha do jogo político. É a nossa vida, nossos direitos que são rifados nas negociações da macro-política. Se negar a pensar sobre política é abrir mão do direito de pensar e decidir sobre nossas vidas. Não adianta se reafirmar biscate com orgulho se permitirmos que as decisões políticas que definem nossas vidas sejam tomadas por moralistas retrógrados.

Post participante da VII Blogagem Coletiva #desarquivandoBR

.-.-.-.-.-.

Deixe um comentário

Arquivado em leituras, Memória, movimentos sociais, mulheres, protestos, relatos